Na dança obscura
das multidões sem face,
escolhemos a esmo
alguma sombra perdida.
O eu também perdido,
dentre tantos esquecido,
já não suporta
lembranças de seu quarto escuro de criança.
De encontros e tentativas,
busca e fim,
alma vencida
olhos vendados,
ainda que sonhos desafiem frustações,
penetramos o óbvio,
convidamos o acaso
aceitamos o jogo.
Viver é manter sempre aceso o fogo.
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